A SINGULARIDADE DA CRIAÇÃO NA ARTE

O potencial radical do Belo persiste nos domínios de Eros como princípio do prazer, cuja linguagem libertadora sobrevive em contraste com a variação conformista. Em obras clássicas de Brecht, Sartre, Günter Grass e Paul Celan[1], a mimese transformadora acaba por revelar a infame realidade cotidiana do fascismo sob sua manifestação histórica mundial. Aqui está um momento de triunfo da forma estética, o terror, que, chamado pelo seu nome, é evocado a testemunhar e a se denunciar. Trata-se apenas de um momento, mas a forma capturou-o e lhe deu permanência, e diz Herbert Marcuse: “[…] estas obras contém a qualidade de Beleza na sua forma talvez mais sublime: como Eros político. Na criação de uma forma estética, em que o grito sobre o horror do fascismo não se asfixia – apesar de todas as forças de repressão e obliteração, as pulsões vitais rebelam-se contra a fase global sadomasoquista da civilização contemporânea”.[2]


[1] As obras citadas, pela ordem dos autores no texto são: A Resistível Ascensão de Arturo Ui e Terror e Miséria no Terceiro Reich; Os Sequestrados de Altona; Anos de Cão; e Fuga da Morte.

[2] MARCUSE, H. A dimensão estética. Lisboa: Edições 70, 2007 p. 60.

REFERÊNCIAS DISPONIVEIS IN “PALMA, LUIZ. ARTE E PSIQUE – UM PODER SEM MAJESTADE – PG 82. EDITORA ESCUTA. SÃO PAULO, 2019.

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *