um crítico perguntou ao pintor
Francis Bacon. Este respondeu:
“nasce ao sul do meu corpo”.
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Quais são as forças que impulsionam o artista a criar? A filosofia, a estética e a psicanálise apresentam explicações intrigantes e o assunto está permanentemente na pauta da crítica especializada.
Gosto da distinção brilhantemente feita por Hélio Pellegrino, psicanalista mineiro-carioca cuja galera incluía Drummond, Otto Lara, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos entre outros poetas e escritores. Na crônica “Escuridão e rutilância” disse algo mais ou menos assim: o artista bebe na fonte do inconsciente, sua matéria vem da escuridão e seu ofício por vezes o afasta da razão. Ao revés, o crítico especializado por meio da luz da razão e das chaves estético-teóricas, busca deslindar a obra do artista.
Esse ponto de observação permite discernir as explosões de corpos em ato como “o anverso oculto do individualismo e da autoconfiança […]: a consciência secreta de que, indefesos, somos jogados daqui para lá por forças que estão bem além de nosso controle”[1].
[1] A visão em paralaxe. Slavo Zizek, P.449. São Paulo: Boitempo, 2008.
